quinta-feira, 17 de abril de 2008

Animação japonesa, mangás e o estilo nacional

oLá, povo meu! Há tanto tempo que estou afastado do blog, que muitos aqui não vão me conhecer. Mas venho acompanhado cuidadosamente o que vem sendo postado e fico feliz de ter tantas pessoas preocupadas com a qualidade de nossos Fanzines.

eStive lendo constantemente sobre hqs, principalmente o “boom” que aconteceu no Japão nestes últimos 60 anos. Não tenho tanta autoridade no assunto pra falar, mas enquanto lia relembrava um tema há muito esquecido por mim:


Qual é o esTilo bRasileiro?

mAis Fácil responder “qual é a do brasileiro?”. Mas a resposta seria uma extensa critica. Não vou malhar ninguém (porque tenho mais o que fazer).

mAs houve um tempo, logo que nos sobreveio a onda de revistas sobre super-herois, animação japonesa e mangá, logo que surgiram os primeiros “maiores eventos da América Latina” (todo este esforço pra não citar nomes, embora mereçam). E com tudo isso fãs de animação, hqs e também fanzineiros reuniram-se sob um mesmo telhado, por assim dizer. Naquele tempo se falava no estilo de desenho brasileiro.

nÃo sei qual a pretensão de se fundar um estilo que se caracterize “nacional”. Talvez recriar aqui o fenômeno americano de consumo de Hqs. Ou o fenômeno japonês, que é mais recente, e se tornou tão expressivo a ponto de influenciar a produção e o consumo de outras mídias, além de extrapolar as fronteiras do próprio Nippon.

tAlvez a iniciativa almeje atingir um padrão mais aceitável e com isso chamar a atenção do público local que está totalmente enfeitiçado pelos poucos trabalhos estrangeiros que chegam nas bancas, sufocando o que é nosso. A ponto de, tanto as editoras quanto os consumidores, abandonar os artistas nacionais sem mesmo avaliar se suas criações são boas ou ruins.

é Triste confiar que intitular a “coisa” ou dar formas à ela possa acontecer de um dia para o outro e, que por si só, possa resolver o problema do roteirista/ desenhista/ editor brasileiro. Além do que não acredito que “uniformizar” é algo realmente louvável. Mesmificar é, também, reprimir a criatividade em muitos casos.

mAs é certo que é preciso zelar pelo “padrão de qualidade”. Absorver o que nos é oferecido (hqs, mangás, animes, etc...) e buscar mais em revistas diversas, culturas e formas de expressão diferentes e, principalmente, livros. E é nisso que o fanzineiro tem de persistir. Em conhecer além das suas animações e quadrinhos favoritos. Pois só isso não basta e não é suficiente para confeccionar histórias com qualidade competitiva e conquistar a confiança do leitor brasileiro.

Fiquem na paz.

ps.: Quando digo “nossos Fanzines”, quero dizer: fanzines brasileiros.

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domingo, 3 de fevereiro de 2008

Criatividade, mercado. Bolos e tortas. Polêmica.

Olá, esta é a primeira vez que escrevo para o Fanzines na Rede, então resolvi abordar os temas básicos e que mais me preocupam no universo fanzineiro, ou melhor dizendo no mundinho fanzineiro. Uma questão que venho martelando em conversas com amigos e a certa ausência de criatividade no segmento e como isso enterra muitos talentos. Na minha fanzinoteca, encontro dezenas de histórias, mas somente umas cinco delas me chamam a atenção. Por que?
Boa parte dos fanzineiros tem um grande autor ou obra que admiram, e inconscientemente ou não tendem a criar suas histórias no mesmo estilo daquele autor. O que isso trás de bom?

Vejamos:
Vamos tomar o exemplo de Cavaleiros do Zodíaco, mas imaginamos então isso como uma receita. Masami Kurumada, o autor, leu muito sobre várias mitologias, grega, nórdica e até bretã, e depois pegou tudo aquilo e passou por uma espécie de peneira, ao que sobrou ele acrecentou os elementos básicos da história: personagens, vilões e mocinhos, trama e tudo mais. E criou um belo bolo, profissional.
Agora vamos ao fanzineiro 'Beltrano". Beltrano adora Cavaleiros do Zodíaco, então assiste todos os episódios, compra os mangás, lê tudo e então resolve fazer seu zine. Beltranho capta um monte de idéias, pega os temas previamente penerados pelo Masami Kurumada e faz seus personagens, trama e história. Pode até ficar parecido com o bolo do Kurumada, mas dificilmente será tão gostoso, e terá cara de torta, porque faltou fermento nisso daí.
Ora, seguir uma receita de sucesso nem sempre é o melhor. Porque eu haveria de me interessar em mais uma história com torneio de luta entre guerreiros apadrinhados por estrelas? E ainda por cima amadora? Ora, já existe uma obra fantástica chamada Cavaleiros do Zodíaco com esse tema. Uma coisa é você beber da mesma fonte que seu autor ou obra favorita, outra coisa é a fonte ser o ser autor e a obra. É prejuízo na certa. E um fanzineiro a menos no próximo evento.

Os fanzineiros tem de parar de achar que as pessoas devem comprar seus fanzines pra apoiar "mais um artista brasileiro" ou algo parecido. Uma a cada 200 pessoas tem essa consciência social de ajudar o fanzineiro. Quando alguém compra um fanzine, está adquirindo um produto. Para ela pouca diferença fará em comprar um fanzine ou um mangá. O que ela quer é uma boa história, divertida de se ler, de qualidade. Essa é a realidade, por isso o fanzine deve ser atrativo, e principalmente original.
O mangá lançado pelas editoras tem toda uma estrutura profissional por trás, anime na TV ou na internet pra baixar, e a certeza de que você verá o final da história. Nós fanzineiros não temos nada além de um deviantart e alguns amigos que admiram o nosso trabalho. Nisso o mangá já sai anos luz na frente.

Enquanto não perdermos essa síndrome de coitadinhos e começarmos a arregaçar as mangas, apoiarmos uns aos outros e melhorar nosso trabalho, começando pela pesquisa e a leitura da maior quantia de autores possível. O bolo vai virar torta.

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sábado, 5 de janeiro de 2008

O Projeto Fanzines na Rede

As pessoas têm entrado no blog e, apesar de gostarem do visual e dos textos, não têm entendido realmente do que se trata.

Bem! Aqui neste texto tento explicar resumidamente o que almejamos para as próximas semanas.

Os nossos objetivos

Em breves palavras, objetivamos a construção de um veículo de divulgação de fanzines, de comunicação entre a comunidade ligada ao tema e uma ferramenta de registro histórico-cultural das publicações amadoras.

A principal ferramenta que incorpora estas capacidades é o catálogo de fanzines.

Amplo e acessível, ele pretende, através da abrangência da internet, ser uma referência para divulgação e busca de fanzines.

Além do catálogo, devem ser desenvolvidas também ferramentas que dêem suporte as necessidades de comunicação e interação da comunidade de leitores de fanzines e de fanzineiros, tais como comentários e reviews dos leitores.

Mas afinal, o que é fanzine?

Resumidamente, fanzine é uma publicação alternativa feita por amador. Uma revista, boletim, jornal. Feita por gente comum, de carne e osso, igual a mim e a você.

Como meio de comunicação, interliga um fã com seus pares – daí o nome fanatic magazine, ou noutros termos, revista do fã. Como ferramenta de expressão artística exprime a arte e a opinião de quem o edita sem as leis de mercado que o censurariam em uma publicação comercial.

O fanzine hoje é responsável por dar oportunidade e voz àqueles que ficaram, por um motivo ou outro, fora do mercado editorial profissional. Tal como os blogs se apresentam hoje na internet, compartilhando com o mundo as singulares formas de pensamento de seus autores, os fanzines o fizeram e continuam a fazer no escopo em que surgiram. Sua importância cultural é evidente e inegável.

Coming Soon

Tudo muito bonito, mas na prática isso significa muito trabalho duro e, principalmente participação.

Não fiquem na moita. Apareçam, comuniquem-se – conosco e entre si. Mas comuniquem-se logo!

Nossa intenção é lançar o sistema (ou site se preferirem) no 11º Fanzine Expo que acontece dentro do Anime Dreams 2008.

Isso significa, em termos mais simples, que estamos ferrados. O AD, acontece nos dias 24, 25, 26 e 27 de janeiro deste ano – daqui uns dias!

Até o lançamento do site, precisamos conhecer você, saber o que você pensa sobre fanzines e, principalmente, se você for fanzineiro, saber sobre seus trabalhos.

Deixem comentários sobre vocês, sobre os fanzines que conhecem ou produzem – mais ainda, sobre os que produziram no passado também. Nos indiquem fanzines e fanzineiros. Indique-nos para fanzineiros.

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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Fanzine na Rede: Poncã

Sim simultaneamente a este post, estou publicando no webzine Poncã o primeiro capítulo de sua primeira estória.

O fanzine Poncã, de autoria deste mesmo mamífero que vos escreve, tem suas raízes nos zines de banda desenhada do final da década de 90 e início da ultima década. E que, na maior parte, foram fortemente influenciados pela animação e quadrinhos japoneses.

Durante muito tempo li, colecionei e mantive forte vinculo com o pessoal que arriscava escrever e desenhar o tal do “mangá” – bicho estranho em terras brasucas. E o animo em também fazer algo do tipo permaneceu em segredo até este momento.

O nome Poncã faz uma analogia entre a tangerina poncã, fruta japonesa que foi trazida pelos imigrantes daquele país, e o mangá, que não é nenhuma nova variedade da fruta manga, mas sim quadrinhos japoneses. Sendo que a semelhança está justamente introdução de um novo elemento – não disse alimento – na cultura brasileira, ambos vindos de uma mesma nação, o Japão.

O fanzine alocado num blog (http://fanzineponca.blogspot.com) tem o mesmo intuito de seus companheiros em xerox: distribuir material de autoria própria e de forma independente.

Começamos com o conto Rosa Púrpura, de Jaqueline Miskalo. Mas, futuramente, disponibilizaremos outros conteúdos, além dos contos, diversificando e melhorando sempre que for possível.

Nosso QG (quartel general) é aqui em Foz do Iguaçu e se você tem interesse em participar, dar seu apoio ou crítica entre em contato por e-mail (maxspider@gmail.com) ou mesmo pelos blogs Fanzines naRede e Fanzine Poncã.

Fiquem na Fé!

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